Área queimada de SRN levará até 20 anos para se recuperar, diz biólogo

O incêndio que atinge parte do corredor ecológico em São Raimundo Nonato (a 517 km de Teresina), uma das maiores áreas de preservação da caatinga do País, provoca uma perda de biodiversidade incalculável.
créditos: cidadeverde.com

 

O incêndio que atinge parte do corredor ecológico em São Raimundo Nonato (a 517 km de Teresina), uma das maiores áreas de preservação da caatinga do País, provoca uma perda de biodiversidade incalculável. O alerta é do biólogo Arnaldo Magalhães, professor da Universidade Federal Vale do São Francisco e que ajuda no resgate de animais na região.

De acordo com o professor, o impacto no ecossistema da região é tão grande que levará de 10 a 20 anos a recuperação das áreas atingidas. “Esse tempo pode ser reduzido com o plantio de árvores para recuperar as áreas destruídas”.

Mortes de animais

Ao dar suporte emergencial nas queimadas em São Raimundo Nonato, Arnaldo Magalhães encontrou animais mortos e afirma que os mais afetados são os de pequeno e médio portes.

“A perda de animais nessas áreas é inestimável, sobretudo os pequenos animais que têm o menor poder de mobilidade como lagartos, serpentes, pequenos roedores e animais em vivem enterrados. Eles achando que estariam protegidos nos buracos, algumas espécies de tatus, lagartos e serpentes e como as altas temperaturas chegam nas tocas acabam matando os animais”. Em medições que fez após fogo, as temperaturas chegaram de 60 a 70 graus celsius.

Circulou fotos de um macaco carbonizado em um bambuzal, e o biólogo disse que não avistou a situação e que a vegetação nas imagens não é de caatinga.

“Não temos estimativas de animais mortos, devido a densidade da mata. Diferentes fotos circularam, a maioria não condiz com animais da região ou fotos locais”.

O fogo afetou o ecossistema dos roedores como mocó, preás, além de ninhos de pombinhas da região e os anfíbios que nesse período ficam enterrados, devido a falta de água.

Arnaldo crê que muitos animais se salvaram, devido a fumaça que fez o alerta de perigo. Segundo ele, a queimada causa um desequilíbrio ao ecossistema que afeta toda cadeia de biodiversidade na região.

Nesta segunda-feira (13), ainda existem focos de incêndios. Após encerrar a operação, Arnaldo informou que voltaram a região para fazer um levantamento mais preciso dos prejuízos. Um levantamento preliminar foi entregue a chefia do Parque Nacional Serra da Capivara.

 


COLUNISTA
Eudes Martins
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