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Brasileiros opinam sobre a política e os serviços públicos na Espanha

Publicada em  19/11/2011 às 12h50

Com a iminência das eleições para presidente na Espanha e a expectativa de mudanças - e até mesmo melhorias - com o novo governo, brasileiros que vivem no país também se mostram ansiosos sobre a atuação dos partidos políticos e a gestão de serviços públicos. O Perfil do imigrante brasileiro na Espanha é bastante variado - vai desde o imigrante que viaja para tentar a sorte longe de casa até o empresário que se deu bem em terras espanholas. Por conta disso, as impressões e expectativas também são bem diferentes.

Pouca diferença
Fernando Rodriguez Peres saiu de São Paulo rumo à Espanha em março de 2002. Viajou para cuidar do irmão que estava doente e decidiu ficar em Madri, onde se instalou com sua mulher. Filho de espanhol, não teve problemas para estar legalmente no país ibérico e tampouco para encontrar emprego. Mas com a chegada da crise, ficou sem trabalho e recebe o seguro desemprego desde agosto de 2010. Para ele, não há muita diferença entre os partidos que disputam as eleições: “não me identifico com nenhum dos partidos. Político é igual em qualquer país. Quando cheguei, o governo tinha prometido fazer um hospital aqui perto de casa. Até hoje não tem nada”, justifica. “Em 2003 o Partido Popular (PP) era contra os imigrantes e perderam as eleições. Na segunda vez, em 2007, tentou o apoio dos estrangeiros, mas só para tentar ganhar e perderam novamente”, completa.

“É sempre a mesma coisa, os preços e as contas aumentam, mas o salário continua igual. Hoje quando vou buscar o seguro desemprego vejo que funcionário público também se comporta da mesma maneira preguiçosa, não importa em que país esteja. Esse país ainda vai piorar porque com tanta gente recebendo como eu e cada vez mais desempregados, chega uma hora em que o governo não dá conta”, afirma Fernando. Para ele, uma das poucas propostas que se salvam é a do Partido Socialista (PSOE) de incentivar a contratação nas pequenas e médias empresas: “só com o governo ajudando essas empresas vão poder sobreviver”.

'Preços subiram'
A campineira Katia Pattaro chegou à Madrid em 2000 para estudar. Conheceu um espanhol e hoje está casada, tem um filho de 3 anos e está grávida do segundo. Para ela, o PSOE, partido que está no poder, não tem culpa da crise e é só uma vítima do ciclo econômico. “A situação está ruim na Europa toda, e é normal depois do boom da construção. Dois ou três anos depois de comprar minha casa aqui, os preços subiram muito e hoje nada vale o que pagavam. E parece que esse boom está acontecendo agora no Brasil”. Katia até pensa em voltar a sua terra natal, mas ressalta os problemas de seu país: “aqui meu filho estuda num ótimo colégio público bilíngue, e em Campinas seria impossível dar a ele a mesma educação sem pagar”. Sobre o futuro depois das eleições, a brasileira é pessimista. “Eu vejo mais diferença no que eles dizem do que no que eles fazem. É engraçado ver como eles afirmam ter a solução como se tivessem uma varinha mágica, mas a gente sabe que não é bem assim”, explica.

'Fez o que pôde'
Fernando Iglesias tem opiniões semelhantes às de Katia. Empresário em Madri, o carioca saiu do Brasil em 1990. Para ele, Zapatero fez o que pôde mantendo o seguro desemprego de 2 anos para os que ficaram sem trabalho, e coloca a culpa da acentuação da crise no PP e nos empresários. “O Rajoy (líder do PP e candidato às eleições) não faz nada além de espalhar a crise em seus discursos. Assim como os empresários que despediram, mas não porque estavam em crise, e sim porque queriam aumentar sua margem de lucro. Quem fica empregado tem medo de ser demitido e aceita trabalhar em dobro. O medo da crise foi o que aumentou o problema e criou mais desemprego”. E faz previsões para o futuro: “é normal que, com o PP no próximo governo, os empresários tenham mais vantagens porque o governo do PSOE deu muito para os trabalhadores, mas a Espanha só vai sair da crise quando quiserem que ela saia, independente do partido que ganhar”.

 

Fonte: G1.com.br

Edição: Sales Neto

 
 
 
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