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MEC volta atrás e cancela testes de mais 500 participantes do Enem

Publicada em  21/12/2011 às 13h08

Exatos quarenta dias após ser informado pela Polícia Federal que o vazamento do Exame Nacional do Ensino Médio (2011) era maior do que admitia, o Ministério da Educação (MEC), enfim, voltou atrás e ampliou o cancelamento de questões da prova. Agora, além dos 639 estudantes do ensino regular do Colégio Christus, os 500 alunos do curso pré-vestivular da mesma instituição também terão as 14 questões vazadas canceladas em sua média final.
 
É a decisão justa, já que o cancelamento agora atinge todos os participantes que tiveram acesso privilegiado à prova. Mas é uma decisão tardia. Como já foi dito, há 40 dias o MEC sabe que o vazamento não se restringia aos estudantes do Colégio. Confrontado com as evidências, o MEC se calou. Em entrevista a VEJA.com no dia 9 deste mês, um assessor direto do ministro Fernando Haddad afirmou que "os indícios apresentados pela PF não foram considerados fortes o suficiente". Se não eram fortes naquela data, o MEC deve explicar quais são as novas informações que levaram ao cancelamento.

O assunto do vazamento, contudo, não deve de maneira alguma ser encerrado com a decisão tardia desta quarta-feira. Como revelou reportagem de VEJA.com desta segunda-feira, a PF colheu testemunhos que colocam em xeque a lisura da elaboração do Enem, durante a fase conhecida como pré-teste. Nessa etapa, questões que poderão ser apresentadas no Enem são resolvidas por estudantes, com o objetivo de determinar o grau de dificuldade dos testes. Só então, as questões seguem para o banco de dados do Enem e, em seguida, são aplicadas no exame federal.

Segundo depoimentos de um profissional que prestava serviços para a Cesgranrio, fundação contratada pelo Inep para aplicar o pré-teste, houve uma falha grave nessa etapa. Os profissionais contratados para fiscalizar o pré-teste em Fortaleza em 2010, justamente no Colégio Christus, mantinham laços profundos com a escola. Além de contrária ao bom-senso, a prática era proibida pelo próprio MEC, que prometia rigor na fiscalização. Se pessoas ligadas à escola tiveram acesso aos testes, viola-se o princípio da isonomia, segundo o qual todos os participantes do Enem devem estar submetidos às mesmas condições ao realizar a prova.

O ministro Fernando Haddad não se pronunciou sobre o assunto. Aliás, desde que o episódio teve início, no próprio fim de semana de realização do exame, nos dias 22 e 23 de outubro, ele pouco falou sobre o tema. Praticamente, restringiu-se a afirmar que problemas como o ocorrido no Enem eram corriqueiros em exames similares de outros países, como o SAT americano. Ouvido pela reportagem, o representante do ETS, associação responsável pelo SAT, negou a tese do ministro.
 
Fonte: Veja
Edição: Beto Barros

 
 
 
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