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Asas cortadas: pássaros da fauna piauiense sofrem com tráfico de animais

Algumas espécies chegam a custar R$ 400.

Por Redação 01/10/2017 às 10:33:38

José Lacerda Luz olha com tristeza para dentro de um grande viveiro apinhado de aves verdes, amarelas, vermelhas e coloridas. Há cerca de 35 anos, o analista ambiental e médico veterinário cuida dos animais apreendidos em operações policiais ou que são entregues de forma voluntária ao Centro de Triagem de Animais Silvestres, localizado na sede do Ibama.

Os pássaros cantam de cabeça baixa. São animais que foram mutilados por seres humanos e traficados como objetos de valor... ou melhor, como animais sem valor. Papagaios, jandaias e cardeais vivem em uma espécie de hospital, onde passam por tratamento para se recuperarem dos maus tratos. Muitos deles, no entanto, jamais ficarão saudáveis. Entre os pássaros, há duas jandaias sol, a ave símbolo de Teresina.

Lacerda mostra o viveiro dos passados mutilados. "Eles fazem o corte da asa para que o animal não voe mais. Às vezes, cortam as penas com uma tesoura. Nesses casos, demoram de um a dois anos para se recuperarem", explica p veterinário, apontando para o viveiro. Mas estes, eles seccionam a última articulação, a ponta da asa. Aí o animal está condenado pelo resto da vida a um cativeiro. Nunca mais vai voar".

Comércio

A rua Firmino Pires, no centro de Teresina, é conhecida popularmente como a "Rua dos Pássaros". A denominação remonta a um período anterior à lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que proibiu o comércio dos animais. No entanto, a prática ainda continua através do mercado negro, escondido por trás de lojas de produtos como gaiolas e ração.


Na rua Firmino Pires, a venda de animais ameaçados de extinção acontece aos finais de semana (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

O canto de pássaros domésticos ainda cobre a rua: periquitos australianos, calopsitas e canários se amontoam em grandes gaiolas esperando compradores. São vendidos em casais.

O Portal O DIA entrou em uma dessas lojas e conversou com um vendedor, fingindo interesse em um papagaio. O rapaz se aparentemente 18 anos exitou por um instante, mas confirmou que a venda acontece no final de semana. Segundo ele, os animais não ficam expostos na rua, mas escondidos em locais próximos. São vendidos por até R$ 400, mas os vendedores são cautelosos.


Jadaia Sol é o pássaro símbolo de Teresina; a espécie está ameaçada de extinção (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Em outra loja, o vendedor é menos cuidadoso. "No domingo você encontra. Vem aqui e fala comigo, que eu te mostro quem é o cara", fala.






Publicada por Eudes Martins

Fonte: O Dia

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